30 de agosto de 2026

Cerimedo, o grande hacker da direita, por Luís Nassif

Cerimedo atuou como assessor de Milei (2023) e Bolsonaro (2022), participou de campanhas onde a tônica era o uso intensivo de bots e trolls
Fernando Cerimedo e Eduardo Bolsonaro - Reprodução redes

Fernando Cerimedo foi preso na Bolívia acusado de ordenar atentado contra ex-companheira Nadia Beller, que sobreviveu a tiros.
Beller denunciou Cerimedo por corrupção e controle do Estado boliviano, citando esquemas ilegais no setor de combustíveis.
Cerimedo usava “fazendas de bots” para influenciar campanhas políticas na América Latina, com 50 mil contas artificiais na Argentina.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A tragédia de Fernando Cerimedo recebeu pouco destaque na mídia brasileira.

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Trata-se de um estrategista político argentino, conhecido por assessorar campanhas de direita na América Latina (Javier Milei e, mais recentemente, Rodrigo Paz, na Bolívia).

Sua ex-companheira, a ativista Nadia Beller, sofreu um atentado armado numa área comercial de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Dois homens disfarçados de entregadores aproximaram-se dela na entrada de um hotel e atiraram, atingindo-a três vezes. Ela sobreviveu e ficou hospitalizada. Estava grávida do próprio Cerimedo (La Tercera).

Cerimedo foi preso na terça-feira (18/08/2026) no aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz, quando se preparava para embarcar rumo a Buenos Aires. A Justiça boliviana o investiga sob suspeita de ter ordenado o ataque. A própria Beller afirma que ele foi o mandante. O Ministério Público o denunciou por tentativa de feminicídio, e o juiz Wilson Espada decretou 180 dias de prisão preventiva.

Logo após o ataque, Nadia Beller disparou a falar. Contou como o ex-companheiro armou o atentado. O motivo: ela “sabia demais” sobre seus esquemas.

Seu relato é a maior bomba deflagrada até agora contra a ultradireita latino-americana. Sobre a Bolívia, foi taxativa: “Quem governa não é Rodrigo Paz, é Fernando Cerimedo”. Contou que ele tinha um escritório dentro do Palácio de Governo, mesmo sem cargo oficial, e comandava um grupo “de elite” da polícia, que respondia apenas a ele (La Nacion).

Disse ter provas de esquemas irregulares envolvendo importação e distribuição de diesel, gasolina e ouro, com sobrepreço por litro de combustível e uso de “testas de ferro” (Nodal).

Ou seja, o caso deixou de ser apenas o atentado contra ela e transformou-se em uma denúncia mais ampla: a captura do Estado boliviano por Cerimedo e a corrupção no setor de combustíveis.

Como Cerimedo operava

Cerimedo atuou como assessor de Javier Milei (2023) e de Jair Bolsonaro (2022), participou dos plebiscitos no Chile e das campanhas de Rodrigo Paz, na Bolívia, e de Nasry Asfura, em Honduras.

O método comum a todas essas campanhas era o uso intensivo de bots e trolls e a desinformação coordenada. Na investigação boliviana, a polícia encontrou uma suposta “fazenda de bots” destinada a gerar mensagens em massa por meio de contas falsas.

Uma fazenda de bots é uma operação coordenada de milhares de contas falsas ou automatizadas, que agem em conjunto para simular engajamento real. O objetivo, nas palavras do próprio Cerimedo, era “mentir para o algoritmo”: fazer com que plataformas como X, Instagram, Facebook e TikTok interpretassem um conteúdo como relevante e passassem a distribuí-lo organicamente para mais usuários.

Ele próprio admitiu ter administrado cerca de 50 mil contas criadas artificialmente só na Argentina durante a campanha de Milei. Disse também que cada “fazenda” individual conseguia reunir entre 1.000 e 2.000 perfis ativos por vez — o número variava conforme o tempo que as contas conseguiam operar antes de serem detectadas e banidas pelas próprias redes.

Durante buscas em um imóvel ligado a Cerimedo em La Paz, a polícia encontrou o equivalente a mais de meio milhão de bolivianos (além de dólares e euros em espécie), documentos e equipamentos descritos preliminarmente como uma “mini fazenda de bots”. Após a prisão, duas contas de trolls associadas a ele — apelidadas de “Dress” e “Neuroc” — foram desativadas no X. Até agora, as autoridades não divulgaram uma perícia técnica detalhando quantos equipamentos, contas ou campanhas essa estrutura administrava.

Nas redes, circularam relatos sobre uma queda perceptível de curtidas, compartilhamentos e engajamento em conteúdos ligados a Milei logo depois da apreensão e da desativação da estrutura — uma correlação observada, ainda sem dados independentes que comprovem a relação de causa e efeito.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Juzécomceranomédio

    25 de agosto de 2026 9:01 am

    Pára Nassif com estas fake news vc é um comprado pelos esquerdistas não vale nada tudo isto é mentira pq não saiu no JN e nem nos youtubers da minha bolha,AFF !!!Obs.:Pensamentos e falas de bolsonaristas antibrasil escutado por este ouvido aqui e é incrível aff !!!

  2. Veritas

    25 de agosto de 2026 9:27 am

    Proibir imediatamente perfis anônimos, aquekes sem possibilidade de localização e responsabilização pelas mentiras , calúnias, injúrias e difamações cometidas, deveria ser uma prioridade das bigtechs. Mas nada fazem, tempestivamente, nesta situação. Impedir a maldade, os vícios e os crimes com uso dos meios de comunicação não é censura. É proteção mínima de direitos e de vida civilizada.

  3. Jose

    25 de agosto de 2026 11:00 am

    Ele é dono de uma fazenda de boots
    Eis aí uma fazenda que vale pibs de trilhões de dólares

  4. Jose

    25 de agosto de 2026 11:15 am

    Nada tem mais valor estratégico político e econômico atualmente do que uma fazenda de boots, que produzem falsas narrativas/acusações em grande escala, alias a falsa acusação existe para a sociedade mas de forma invisível: ninguém debate a falsa acusação e os erros judiciais, que nem são devidamente penalizados
    
    Ele eh dono de uma fazenda de boots que vale pubs de muitas nações

  5. Omeg

    25 de agosto de 2026 2:09 pm

    Nassif, é a primeira vez que eu vejo uma fazenda de robôs pra impulsionar visualização/repercussão. Sugiro uma pauta cavando fundo para mostrar quem são realmente ‘os caras’ que repercutem o tweets de chupetinha e asseclas.

  6. EDISON DE QUEIROZ ALBUQUERQUE

    25 de agosto de 2026 5:26 pm

    A mídia tradicional, e a maioria dos blogs (imprensa independente) que eu leio, não noticia fato tão importante.
    Até agora só o GGN está noticiando. Parabéns!

  7. Fábio de Oliveira Ribeiro

    27 de agosto de 2026 6:38 pm

    Num passado distante, as profecias não raro custavam caro e eram dadas por Sacertodizas drogadas em Delfos ou Cumas. O mercado de analises e previsões sempre foi importante. Existem agências públicas e privadas que operam nesse ramo e aquilo que os especialiatas nelas aconselham custa caro aos governos e pessoas interessadas. Hoje o mercado de previsões, predições e profecias é bilionário, em parte agora controlado por IAs. Enloquecer as predições pode se tornar a principal método de guerra híbrida. No lugar de Sacertodizas drogadas teremos IAs virtualmente envenenadas à distância.
    Resumindo: O governo brasileiro precisa parar de ser pautado por gringos e começar a agir. A melhor maneira de fazer isso é se preparar para travar a guerra híbrida onde o inimigo externo se tornou mais vulnerável.

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